Frases de Eliana Pontes

 Eliana Pontes
 
 
FRASES DO PENSAR
 
 
1-"Sentimentos, camaleão das palavras" (Eliana Pontes)

2-"Se os seus olhos fossem de mola, teriam afundado os meus" (Eliana Pontes)

3-"O dia abriu seus lindos olhos azuis sobre as cabeças de borracha e tudo passou a brilhar" (Eliana Pontes)

4-"Sentimentos não têm paredes, só têm janelas" (Eliana Pontes)

5-"O amor é disponível, flexível e transponível" (Eliana Pontes)

6-"Caneta, um gigante que me carrega nas costas…" (Eliana Pontes)

7-“Muitas vezes, estamos num espaço entre barreiras que se chamam pessoas…" (Eliana Pontes)

8-"Casa para não fugir e nem se esconder" (Eliana Pontes)

9-"Olhos podem rolar pra debaixo da cama, mas sem molhar o seu valioso tapete" (Eliana Pontes)

10-"Libertar-se do relógio que nos divide em pedaços… " (Eliana Pontes)

11-"Somos dois ouvidos armados nas fronteiras e fortalezas do pensamento" (Eliana Pontes)

 
12-"A Tecnologia invade os guarda-roupas da natureza" (Eliana Pontes)

13-"Em que gota estancam as lágrimas, e o riso clareia o céu para que dancem as estrelas e a lua cante para o sol nascer?" (Eliana Pontes)

14-"No meu coração plantaram flores que só vão morrer quando ele parar de bater" (Eliana Pontes)

15-"Sua alma jamais será descartada do meu coração, porque não tem idade e nem tamanho para existir" (Eliana Pontes)

16-"Sábios despertam sonhos, tolos adormecem sonhos" (Eliana Pontes)

17-"Palavras seguem em frente para se tornarem depois, e depois, para serem passado" (Eliana Pontes)

18-"Vinha de uma distância tão distante arrastando a distância consigo…" (Eliana Pontes)

19-"Deitar o sol sobre o ser, antes que a lua perceba e o leve para que descanse em seu quarto minguante" (Eliana Pontes)

20-"Que seja o único a acender a luz do sol todos os dias da minha vida" (Eliana Pontes)

21-"Não se pisa sobre a grama de salto alto, nem se anda descalço no asfalto encerado"  (Eliana Pontes)
 
22-"Podemos subir até onde os olhos alcançam" (Eliana Pontes) 

23-"A Terra tem muitas linguagens mesmo calada, pois através dela, tudo nasce, cresce e multiplica" (Eliana Pontes)

24-"Palavras oficializam olhares, gestos, emoções; selam paixões, solidões, ilusões; são cúmplices da mentira e parceiras da verdade" (Eliana Pontes) 

25-"Um sonho floresceu em todos os canais de televisão; o sonho de um astronauta que teve o poder de colocar o mundo em suas mãos" (Eliana Pontes)

26-"Meu coração precisa lhe descobrir, lhe desenhar, lhe refazer… Deseja ser o inventor do seu sorriso" (Eliana Pontes) 

27-"Nem todas as palavras digitalizadas diante dos olhos conseguimos ler ao implodirem dentro do ser" (Eliana Pontes)

28-"Rugas, frases no pesar do pensar; rugas sem disposição pra sorrir; não sei se a expressão congelou o tempo, ou o tempo congelou sua expressão" (Eliana Pontes) 

29-"Não desejo ser um clássico imortal, mito ou ídolo; a imortalidade, a Deus pertence" (Eliana Pontes)

30-"Um Idealista vive seu ideal em tempo real" (Eliana Pontes)

31 "Quanto mais a inteligência humana cria fórmulas para curar o corpo, mais o Espírito é ignorado" (Eliana Pontes)

32 "A vida é uma embalagem reciclável que deseja ser preenchida de boas experiências" (Eliana Pontes)

34 "Muitas vezes é mais fácil transplantar um coração sobrevivente num ser do que renovar o amor que reproduz vida" (Eliana Pontes)

35 "O corpo precisa ser a melhor roupa da alma e não, obstáculos" (Eliana Pontes)

36 "Traços na expressão revelam a capacidade de comunicação em seres humanos" (Eliana Pontes)

37 "Sucesso é bem-vindo como reconhecimento na luta honesta por um ideal, mas quando almeja fama é apenas vaidade" (Eliana Pontes)

38 "A inteligência deve ser desenvolvida e não domesticada" (Eliana Pontes)

39 "Educar é estimular o prazer de ser melhor" (Eliana Pontes)

Entrevista – Faculdade de História – Universidade Federal de Santa Catarina

Entrevista com Eliana Pontes
Tema: Incentivo à Leitura
Trabalho de disciplina da aluna: Juliana Vitelli 

Órgão
: Universidade Federal de Santa Catarina
Disciplina: História Oral

Graduação: 8ª Fase da Faculdade de História da UFSC
Professor: Marcos Montysuma
Intrevistadora: Juliana Vitelli

Fiz acréscimos importantes sobre os dados que foram esquecidos no momento inesperado da entrevista, praticamente "fui pega de surpresa", também complementei alguns aspectos que achei interessante esclarecer ou incluir. Fiquei orgulhosa em participar da entrevista sobre um tema de grande importância, em seus vários níveis de leitura, para o papel do homem no mundo das comunicações. (Eliana Pontes)

Juliana: O que você esperava alcançar com seu projeto de incentivo à leitura nas escolas públicas?

Eliana Pontes: Que os jovens se identifiquem, reconheçam, exercitem e busquem seus objetivos através da leitura. Para estimular os potenciais de criatividade e aprendizado ofereci assuntos afetivos, a serem interpretados através da leitura, para isso utilizei como material de base, os livros de minha autoria. Tem que existir um trabalho de estímulo dentro das escolas para que o aluno possa se envolver com o conteúdo de uma história de acordo com sua personalidade; sua época; e aí então, estar trabalhando no desenvolvimento das críticas; indagações; ilustrações; enfim, todo tipo de comunicação dentro das influências dos textos.

Juliana: O que mais te motivou a iniciar este projeto?

Eliana Pontes: A possibilidade de estar trabalhando num projeto em que o adolescente tenha acesso fácil ao livro e, como o livro não é algo que você possa estar mostrando em todos os lugares, como a música, por exemplo, então ele tem que ir até o aluno… Mas de que forma? Junto com o autor. Isto é um compromisso de trabalho que o próprio escritor poderia ter; um comprometimento com a educação na qualidade da comunicação dos novos leitores. Levar seus livros aos alunos significa contribuir no enriquecimento do vocabulário, argumentações, críticas, questionamentos, criatividade, ao interagirem os textos, na presença de seu autor, o criador das idéias do livro.

Juliana: Teve algum problema que lhe impossibilitou a continuar com este projeto, falta de patrocínio ou alguma coisa do tipo?

Eliana Pontes: Para tudo aquilo que você quer ou pretende, há vários caminhos, por isso tem que ser perseverante, fazer um bom planejamento desde o início. No meu caso, que não havia publicado nenhum livro individual, utilizei uma idéia baseada num sonho antigo de conhecer determinados autores de livros que me apaixonei. Então montei um projeto bem completo e inédito para seguir atrás de meus objetivos, buscar patrocínio, justificar todos os detalhes positivos de forma convincente e eficiente; suas conseqüências favoráveis; sua atratividade, para que encontre iniciativas de apoio ao meu propósito; não se torne apenas um livro a mais nas prateleiras das livrarias, sendo eu uma autora desconhecida e tendo consciência que meus textos são benéficos para um público jovem.

Público jovem dentro das escolas significa um rico potencial humano no exercício da criatividade e intelectualidade na comunicação; devemos dar uma chance aos alunos que estão nas escolas sendo submetidos a leituras cansativas, sacrificadas e obrigatórias, por não saber como lidar com as palavras para incentivá-los.

No ano 2000 não existia projeto baseado em estimular a leitura em escolas públicas com a ida de autores até os alunos, onde juntos pudessem interpretar seus livros. Sendo assim, não foi tão difícil concretizar o projeto de incentivo à leitura através de apoios governamentais, dentro de Florianópolis e São José. Por ser inédito; eficiente; estimulante; deve-se o interesse da imprensa – que esteve categoricamente presente em todos seus passos – a mídia jornalística representada pelos principais veículos de comunicação (jornal, rádio e tv de SC) registrou, acompanhou e conferiu meus encontros pessoalmente nas escolas.

Juliana: Qual foi a instituição de ensino que mais lhe agradou, as escolas públicas que você mais gostou, os alunos que mais participaram?

Eliana Pontes:
Cada turma que eu visitei teve uma característica de participação. Agora, como o escritor tem uma forma peculiar de perceber detalhes, ele naturalmente encontra a melhor forma de estar interagindo com as turmas. Em relação aos grupos visitados nas escolas da Grande Florianópolis, posso dizer que a 4ª série tem um tipo mais concentrado de interpretação, os alunos gostam mais de ilustrar, mas sempre manifestando uma característica própria e crítica, assim como a 5ª e 6ª série, basicamente falando. A partir da 7ª, eles gostam de incluir o lado crítico de forma verbal, inclusive dentro das perguntas, onde são bem participativos neste aspecto. Quanto à 8ª série e o ensino médio, quase que totalmente, as características de perguntas são críticas incluindo ilustrações e, suas explicações sobre elas são verbais; também explicam de forma artística e com criatividade em suas versões, colocam paralelos entre a realidade deles e da sociedade inspirados no livro, incluem letras de música, fazem análises, perguntas seguidas de opiniões, politizadas, culturais e dão novos sentidos à arte, sejam elas musicais, teatrais, ilustrativas. É importante citar que todas turmas visitadas tiveram forte potencial de criatividade e personalidade por estarem diante de absoluta liberdade de expressão individual ou perante as atividades em conjunto.

Juliana: Você visitou escolas particulares também ou só públicas?

Eliana Pontes: Não, municipais e estaduais de Florianópolis e São José, capital e município de Santa Catarina. Oficialmente, 5000 certificados, ou seja, 5000 alunos participaram de todas as etapas do projeto faltando apenas a participação no livro que aguarda patrocínio; a quarta fase, que atualmente não tem apoio para sua concretização. Relembrando: 1ª Fase: distribuição dos livros, 2ª Fase: visita da autora para falar sobre os textos, 3ª Fase: recebimento dos certificados de participação no encontro cultural e 4ª Fase: participação dos alunos no livro, Escritora entre Alunos, onde inclui a poesia coletiva, ilustrações dos alunos (por sorteio), versões dos textos, perguntas, críticas, comentários, fotos, gráficos de tipo de perguntas.

Juliana: Durante quanto tempo você fez, começou em que ano? Que ano iniciou este projeto?

Eliana Pontes: O projeto foi idealizado no início do ano 2000 e concluí o formato entre junho e julho, onde fui em busca de patrocínio, utilizando os comentários sobre o livro (que é o produto ou matéria prima do projeto). Os comentários foram feitos por uma jornalista e professora universitária, um escritor catarinense, uma profissional em marketing e um músico e artista plástico catarinense, no livro "Um Coração Aberto". Com o patrocínio, lancei sua 1ª edição na 15ª Feira do Livro de Florianópolis, em setembro desse mesmo ano. Divulguei a doação dos livros na televisão e distribuí nas escolas, no começo de janeiro. O recebimento dos livros nas escolas foi antes do início das aulas. Esperei os alunos lerem no período de mais ou menos dois meses, aí então comecei o encontro cultural com os alunos das escolas públicas. Em abril do ano 2001 foi registrada a primeira visita pelo jornal Folha de Coqueiros, onde eu e os alunos de 7ª série, da escola Presidente Roosevelt fomos fotografados.

Juliana: Que experiências você adquiriu ao longo deste processo?

Eliana Pontes: De forma técnica, relatos dos resultados colocados pelos Professores, Diretores de escolas, Secretários da Educação, Prefeitos, Educadores, comentário da Fundação Franklin Cascaes, a procura de organizadores de ONGs, que me consultaram para orientações de como abordar os assuntos ou como lidar com os estudantes adolescentes, etc. Eles desejavam lançar um livro apenas com escritores catarinenses.

O mais importante da minha árdua trajetória profissional, em termos de reconhecimento mais amplo até agora, foi o convite para coordenar o Projeto cultural de incentivo à leitura, no Fórum Social Mundial, que abriu as portas em termos de contatos à nível nacional e internacional e aumentou o número de interessados no assunto, em seus vários aspectos; deu visibilidade maior e contribuiu no fortalecimento do projeto (Foi em julho/2007, o Fórum Mundial e ainda fiz parte da Comissão de Comunicação e Marketing do Fórum de Educação Popular – V – FREPOP – II Internacional, em Lins/SP).

As melhores experiências ocorrem durante a realização da poesia coletiva, pela disposição e desinibição dos alunos em formar as palavras; todos eles se fazem um; cria-se uma unidade de respeito diante da exibição em público, digamos assim, perante os sentimentos e idéias dos parceiros. Enfim, toda atitude de retorno dos alunos é benéfica; o interesse por querer saber das minhas experiências e colocar as deles; em fazer as versões das poesias que eles consideram melhor…Foram, e sempre serão, as melhores características de participação, frente a frente com os principais envolvidos no projeto, incluindo manifestações de respeito, espontaneidade que representam momentos prazerosos entre eles.

O retorno positivo de caráter técnico e científico é um estímulo ao meu trabalho para o desenvolvomento e propagação do projeto, não só de forma profissional, mas como exemplo de cidadania a ser seguido por outros escritores, pois minhas expectativas foram confirmadas através de especialistas competentes em suas análises acadêmicas.

Juliana: E, em sua opinião, você acha que hoje os adolescentes estão lendo pouco, lendo muito? E se estão lendo pouco, quais fatores você acha que fazem com que eles não tenham o hábito da leitura?

Eliana Pontes: Na 15ª Feira do Livro de Florianópolis, em setembro de 2000, onde formalizei o lançamento do livro Um Coração Aberto, antes de levar às escolas, existiu bem menos alunos do que agora, principalmente estudantes adolescentes. Não havia tantos adolescentes quanto em setembro de 2001, onde compareceram alunos que conheciam meu projeto e foram por mim convidados, para a formalização do lançamento de Floripa em Versos. Na ocasião, eu havia feito visitas para mais de 20 escolas; distribuído praticamente 1.500 certificados. Mandei convite para as escolas que eu visitei. Percebi, desde aí, um aumento significativo de alunos nas Feiras do Livro de Florianópolis, inclusive na Feira de Rua, que é mais popular.

Nesta mesma época enviei meu projeto para Órgãos Educacionais espalhados pelo país, por mim pesquisados, via sites de busca da Internet. Quando mandei o projeto para o Ministério da Cultura, retornaram com um ofício dizendo que iria ser oficializada a Lei Federal de Incentivo à Leitura nas Escolas Públicas, dia 28 de agosto de 2001. Mas não tenho certeza da publicação oficial, no entanto pode ser confirmada via Internet, posso afirmar que foi após o dia 20 de agosto de 2001, praticamente 5 meses depois da primeira matéria registrada com os alunos.

Juliana: Então você acha que, as crianças, os adolescentes, estão lendo bastante ou você acha ainda que está faltando o hábito da leitura nas casas, na própria escola?

Eliana Pontes: Acredito que sim, estão lendo bastante porque as bibliotecas das escolas daqui estão sendo mais freqüentadas. Os professores me falam: – nossa biblioteca vivia vazia, depois da sua visita eles querem pesquisar outros autores, principalmente de poesias e ficção. Nesta fase, na adolescência, o interesse é maior para esse tipo de assunto, representa um importante passo para motivar a leitura; evoluindo mais tarde para outros gêneros e temas específicos. De acordo com suas aptidões vocacionais, maturidade, tendências, experiências… terão interesse em conhecer outros autores de livros mais complicados, com um maior volume de páginas, tudo de acordo com suas áreas de identificação.

Juliana: Que idade você trabalhou com as crianças?

Eliana Pontes: Por escolaridade. Com os alunos de 4ª à 8ª e Ensino Médio, foi utilizado Um Coração Aberto; o livro Fábulas Reais, foi priorizado no Ensino Médio. Um Coração Aberto (um romance em forma de poesias), tem uma seqüência afetiva e o livro Fábulas Reais, são crônicas que trazem lições de vida retirada do dia-a-dia; textos sensíveis buscando uma reflexão sobre a realidade de cada um.

Juliana: Então você trabalhou com ensino fundamental e ensino médio.

Eliana Pontes: Sim; geralmente de 5ª à 8ª série e Ensino Médio; em algumas exceções, com turmas de 4ª série.

Juliana: E você fez este trabalho fora da cidade de Florianópolis, em algum outro colégio, ou só Florianópolis e São José?

Eliana Pontes: Em São José e Florianópolis fiz escolas municipais e estaduais, sendo que no Município de São José, apenas escolas municipais.

Juliana: E este convite à palestra que você teve foi aonde? Conta um pouco desta experiência da palestra.

Eliana Pontes: Foi um convite que recebi através da minha comunidade "Escritora entre Alunos", que abri no site de relacionamento, Orkut. Na maioria, Educadores e Professores participam da minha comunidade. Um dos organizadores do Fórum Social Mundial, Profª Salete de Castro, que também é integrante da comunidade Escritora entre Alunos, deixou um recado pra mim e alegremente aceitei. Lá, coordenei o projeto para Professores de Ensino Fundamental e Educadores Sociais; participaram, uma turma diferente em cada um dos dias, 26, 27 e 28 de 2006, no último FREPOP (Fórum de Educação Popular) 

Juliana: de que mês?

Eliana Pontes: Em julho deste ano (2006). O ano que vem já está confirmada a minha presença também no próximo Fórum. Por virtude de ser uma ONG (Organização não Governamental), não é possível receber pelas palestras, mas quem participa pagando inscrição, ajuda o fórum a ir buscando profissionais e pesquisadores do Brasil e do mundo a fim de viabilizar a apresentação de seus projetos em várias áreas de conhecimento. O Fórum de Educação Popular (FREEPOP) divulga os trabalhos educacionais bem sucedidos, assim novas idéias são aproveitadas e utilizadas à nível acadêmico.

Juliana: E o retorno destes profissionais que participaram das palestras, vieram falar com você depois, sobre a sua apresentação? Como é que foi este retorno?

Eliana Pontes: O retorno foi ótimo, o que mais perguntaram estão relacionados com os métodos para incentivar a leitura nos adolescentes, assim como os depoimentos que comprovaram a elevação da auto-estima do aluno e potência intelectual, pela possibilidade de estarem participando do livro com suas perguntas, desenhos e ilustrações, além da poesia coletiva.

(neste momento o celular da entrevistada tocou e interrompeu a entrevista durante uns 5 min. A entrevistada voltou a responder a pergunta desde o início)

… Os professores acharam interessante o projeto de incentivo à leitura por englobar vários componentes; por ser um trabalho de socialização; um trabalho em que tem a entrega dos certificados do encontro literário; um trabalho que produz a Poesia coletiva; um trabalho em que os alunos idealizam um festival de poesias ("Prêmio Eliana Pontes") para homenagear a autora que os visitou e o Secretário da Educação faz a entrega do prêmio; um trabalho em que o autor responde cartas dos  alunos enviadas antes da visita; um trabalho em que o autor apresenta seu livro e se apresenta; tudo para incentivar no jovem estudante, a leitura e, gozar dos seus benefícios.
 

Ressaltei que o professor não deve apresentar um livro clássico, sem informações complementares, que é de extrema importância, por ser um livro escrito há várias décadas; porque não tem relação com a época do adolescente. Não devemos dizer que eles têm que ler porque vai aumentar a nota; porque é importante; porque eles devem ler; porque vai ter uma prova sobre o assunto, ou porque é muito bom e pronto.

Então os professores comentaram que não imaginavam um trabalho como esse ser tão detalhado, ter tantas fases interessantes, uma verdadeira socialização para chamar a curiosidade ao conhecimento através da leitura; eles acharam atrativas as várias etapas para se concretizar o gosto pela leitura a partir da adolescência. No item clássico, ainda ressaltei que não se passa ao aluno um livro clássico, sem pelo menos explicar o que o autor passou, naquela época. Os autores eram introspectivos, eles não podiam demonstrar os sentimentos, então colocavam apelidos, pseudônimos, os poetas ou escritores literários viviam depressivos, sentiam um amor concretizado na imaginação, amor apenas idealizado, um amor platônico. Tem autores reprimidos pelos pais, têm outros autores reprimidos pela religião. Cada um tem uma história que pode ser colocada em paralelo com a história atual em termos de cultura ou comportamento, antes de indicar o livro ao aluno.

É importante que procure apresentar, pelo menos a biografia do seu autor clássico e, melhor ainda, fazer um paralelo de uma parte da história do livro com a realidade dos jovens – "antigamente, eles falavam de uma forma diferente, hoje a palavra que a gente usa é outra para expressar os sentimentos; eles viviam de forma diferente (de acordo com a história do livro…), o relacionamento amoroso, a preocupação da família…,hoje não…" – Isso vai chamar a curiosidade deles, aí então eles vão querer ler; vão querer conhecer mais sobre a história do livro.

O incentivo à leitura é um conjunto, uma socialização intelectual, claro que não só na leitura de contos, crônicas ou poesias, mas em todas as matérias. Em química, física, matemática; tem que existir um profissional que visite os alunos, igual o escritor está fazendo atualmente, também para explicar sobre seus sentimentos, suas idéias e pensamentos; um professor de informática poderia dizer o por quê dele estar fazendo informática – "gostei de informática porque um professor meu era legal" – contar o que aconteceu para se dedicar a esta profissão.

Cada profissão, cada matéria, teria que ter um profissional para explicar porque que ele gosta desta ocupação. Então o aluno vai se identificar com determinada área, entendeu?

Em relação ao gosto de ler um livro, se ele não se identificar, não vai sentir curiosidade em se envolver por alguma história, mesmo que seja para criticar o autor negativamente; terá que existir essa oportunidade, para se envolver com o conteúdo de forma produtiva. O conhecimento deve nascer através do prazer, não só na literatura da imaginação, ficção, fantasia e romance, mas também em termos de conhecimento científico ou tecnológico. Poderemos afirmar que todo profissional que ama o que faz se torna criativo ao transmitir suas informações, até mesmo utilizando humor ou sátiras. Para isso devemos trabalhar a desinibição dos sentimentos na fase da adolescência; uma das razões que incluí em meu projeto os encontros culturais; a realização da poesia coletiva e/ou envolvimento com textos afetivos de forma crítica.

Muitos alunos quando sai do segundo grau, até mesmo dentro de um cursinho pré-vestibular, ainda não sabem o que fazer porque não se envolveram pessoalmente, frente a frente com profissionais de alguma área, não sabem o que lhes atraem; na realidade, não sabem detectar qual sua tendência profissional.

Se, através da literatura ou ficção a gente consegue perceber o que fazer no futuro, você imagina como seria melhor se em cada matéria de exatas ou biomédicas, por exemplo, um profissional viesse colocar as suas experiências para eles, com palavras simples; de um jovem; o que os estudantes gostariam de saber em termos de curiosidade, dentro da sua área de atuação?

Eu gostaria de saber o que aconteceu de diferente quando você consultou alguém, qual de suas pacientes que saiu um pouco do normal? Cada um tem uma história diferente para contar ao aluno e o jovem vai se identificar com uma história para ir se aperfeiçoando, pelo menos em termos de curiosidades para então partir para o lado acadêmico.

Eu começo fazendo a minha parte, a comunicação usando a imaginação e a reflexão que irá promover o quê? O caráter, a desinibição, argumentação, espírito crítico. Toda poesia exercita os próprios sentimentos para que a pessoa se coloque no lugar do outro, propicia o respeito, além de estimular a leitura nesta fase da realidade dos jovens. Estimular o respeito e incentivar a leitura dentro desta área de atuação que é a qualidade da comunicação e relacionamento, que já é essencialmente importante em todos os aspectos da comunicação e cada vez mais vai ganhar grande destaque dentro de todas suas áreas de atuação.

Em outros seguimentos de especialização só vai depender do profissional específico fazer a sua parte, dar a sua contribuição, dentro de suas matérias ou disciplinas porque a leitura já vai ser estimulada, os outros assuntos dependem da presença de cada profissional. Na matéria de química posso sugerir um químico para falar sobre drogas, por exemplo.

Juliana: Você recebeu carta de alunos depois, a respeito de seus livros, comenta um pouco sobre essas cartas, desenhos tudo né… que os professores pediram para fazer, como é que foi esta experiência?

Eliana Pontes: Sim, os desenhos também, pois o meu trabalho incentiva uma série de atividades, então teve aluno que mandou carta, fez ilustrações, teve outros que transformaram a minha poesia em outra poesia, mandaram pelo correio ou foram até minha casa entregar as atividades pessoalmente, ou no próprio encontro, na escola, de forma anônima (bilhetes sem assinatura) ou não.

Juliana: Inclusive você colocou nos seus livros algumas ilustrações dos alunos né?

Eliana Pontes: Sim, tem ilustrações, a poesia coletiva, suas perguntas, quando se repetem entram no gráfico de porcentagem de assuntos mais discutidos na reunião, tem as entrevistas que é um fator importante, também a inclusão de eventos, a socialização do aluno, causas e efeitos pelo envolvimento com as idéias do autor, por colocar o aluno diante da realidade e integrá-los entre os textos e a sua vida, sua versão crítica ou artística, o lado intelectual e criativo do aluno estará sendo publicado, ou seja, merecidamente valorizado e divulgado.

A TV não é um veículo importante de comunicação? Então vamos levar o aluno até a televisão. Quando eu cheguei numa das escolas públicas e perguntei qual adolescente gostaria de ir até a TV RBS, no Programa "Bom Dia Santa Catarina", dois adolescentes levantaram as mãos, quem levanta as mãos para ir a um programa de televisão é líder ou potenciail influenciador da sua turma.

Levei os alunos até lá, eles viram a realidade de forma totalmente diferente daquilo que imaginavam, os repórteres ficavam repetindo, até decorar, na verdade, se inteirar com o conteúdo… Aí um deles comentou – eu já sei, posso ir lá falar a frase? Eles começaram a perceber que tudo não era assim tão perfeito, ou "coisa do outro mundo" como pensavam. Depois que começaram a assistir as entrevistas, viram todos os textos rolando na tela, falaram: – olha só, eles estão lendo naquela tela! Aí notaram que é preciso muito exercício, muita luta, preparação, concentração para apresentar um programa e até muitos faziam orações antes de entrar no ar, que não é algo assim tão mágico o que se assiste na tv.

Depois que retornaram para a escola, estariam ainda mais abertos a organizarem e concretizarem suas idéias, seriam ainda mais atuantes. Tenho certeza que outros líderes ou parceiros se fortaleceram através deles. Sempre que entro na naquela escola percebo um clima bem diferente, bem real e cultural, a escola ficou maravilhosa. O nível cultural aumentou, a organização, alguns líderes viram que não é tão difícil transformar a realidade. Assim foi dentro da escola, de alguma forma, ajudaram a transformar o ambiente escolar.

Juliana: Última pergunta, você pretende fazer mais outro livro, está com algum projeto para futuros lançamentos ou não?

Eliana Pontes: O livro Escritora entre Alunos é uma publicação aprovada pelo Ministério da Cultura, onde contei com a participação voluntária dos alunos durante o projeto de incentivo à leitura. Foi prorrogado até o final deste ano, 31/12/06.

Não é um projeto que dá muita visibilidade para as empresas, teria que ser patrocinado diretamente com o Ministério Federal, certo? Meu trabalho feito nas escolas públicas, não teve nenhum retorno financeiro a não ser o espaço para reproduzir o livro a fim de ser doado às escolas públicas. Você tem a matéria prima, impresso na Imprensa Oficial onde a Secretaria da Educação analisa e relaciona as escolas a serem beneficiadas para que eu realize o projeto nas escolas. Um trabalho que não obtive lucro pela execução do projeto.

Então este trabalho que originou o livro é importante para a educação, comunicação, comportamento, relacionamento, aprendizado, para a auto-estima dos alunos das escolas públicas, claro que também pode ser custeado por empresas particulares, mas não é vantajoso no aspecto de marketing empresarial, pois o livro vai ficar dentro das bibliotecas públicas do Brasil. São 5.000 livros de 240 páginas, tenho comigo todos os endereços das bibliotecas públicas, onde meus livros serão encaminhados pelo Ministério da Cultura, onde a logomarca vai ficar ali, sem visibilidade para atrair compradores de seus serviços ou produtos, mas é de interesse importante e específico da Educação pública.

Juliana: Ah, então não pode ser distribuído em escolas privadas?

Eliana Pontes: Não, não, não pode… Por isso é o Ministério Federal que deve estar disponibilizando esta verba, por ser um trabalho realizado de graça nas escolas de ensino público. Só depois fiquei ciente que deveria ter feito um outro tipo de solicitação, por não ser um apoio via Lei Rouanet, teria que ser encaminhado um outro tipo de documento dirigido ao Ministério Federal, aliás, soube um mês atrás, então o que vai acontecer? Vamos supor que até lá apareça alguma empresa que faça esta caridade, caso contrário, vou ter que preencher um outro formulário com outro tipo de solicitação, dados diferentes, e só depois das eleições, para que o livro e a continuidade do projeto seja novamente aprovado e patrocinado pelo Governo Federal e não através da Lei Rouanet.

Juliana: Qual a importância da leitura na comunicação?

Eliana Pontes: A leitura na comunicação é importante porque todos os seus veículos (televisão,  rádio, jornal) não devem exercer funçõs de manipulação; devem estar diante de pessoas críticas, por isso o saber interpretar ou discutir um assunto lido.

Trazendo um bom livro até os alunos para se identificarem com seu conteúdo e trabalhar o projeto com eles, só assim poderemos estimular neles o interesse pela leitura, automaticamente pelo conhecimento, pela política, pela cultura, vão se sentir fortes para expor suas idéias, pesquisar e desenvolver o espírito crítico.

Então os alunos sabendo analisar de maneira consciente, crítica, fortalecida, indagariam ao assistir uma novela, um jornal, ou pelo menos sentiriam curiosidade em conhecer o que estariam sendo preparadas, por detrás das câmeras para ficar “tudo bonitinho”. Sendo assim as idéias individuais irão ser mais importantes do que as que passam para eles. Porque o aluno tem que ver a leitura atrás dos textos e através dos textos.

A leitura atrás do texto é aquela escrita pelo próprio jornalista, ou por quem escreve a matéria, dentro da visão dele, de acordo com a opinião e/ou concepção do profissional da comunicação, enquanto que a leitura através do texto é a leitura que o leitor, o aluno, a pessoa que está lendo, vai fazer, interpretar, de acordo com aquilo que ele deseja ou necessita saber dentro do mesmo conteúdo da matéria publicada.

Juliana: Neste fórum você falou sobre o trabalho da mulher na mídia, fale um pouco sobre isto.

Eliana Pontes: Um tema sobre o papel da mulher na mídia. Se existe discriminação, quais os aspectos históricos, culturais, psicológicos que beneficiam ou prejudicam a mulher pelo fato de ser feminina e em especial, bonita, como seria utilizada sua aparência para chamar a atenção num assunto qualquer? Foram 5 profissionais da área de comunicação e educação que participaram da mesa temática.

Dentro do meu projeto frisei o trabalho com os alunos adolescentes, o favorecimento do espírito crítico,  a importância de colocar em destaque a realização de um projeto social, sua personalidade cultural, suas idéias, suas atitudes de cidadania, acima da qualquer beleza pessoal, delicadeza ou sensualidade que a mulher possa possuir. Devemos realçar, mais do que uma simples aparência de pouca duração, atitudes geradas pela inteligência.